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Os diferentes tipos de rochas são um dos principais tópicos dos assuntos entre escaladores. Ter maior aderência, ser mais firme, mais ousada, que precisa de mais concentração, são características das escaladas que dependem da formação de cada rocha, e é possível aprender muito sobre cada uma delas a partir disso.

Em relação a isso, existem muitos pontos de aprendizados geológicos que precisam passar nas mãos de um escalador, e nos ajuda a compreender ainda mais a formação de cada uma dessas rochas.


Figura 1: Escaladora em uma rocha de estrutura complicada. Fonte: Chimarocks


Primeiramente, o que interessa para um escalador: aderência. Logo, é necessário entender várias propriedades de uma rocha, como permeabilidade, estrutura da rocha, formação e textura.

Rochas sedimentares possuem maior permeabilidade, logo, conglomerados, calcários e arenitos (figura 2) terão maior aderência ao escalador. Além disso, a porosidade delas fazem com que sejam rochas susceptíveis a erosão e intemperismo, permitindo que além de uma boa aderência, existam bastantes lugares para apoio e ajude o escalador a variar seu posicionamento.


Figura 2: Escalador em uma rocha de Arenito. Fonte:Escalada Granada


Inclusive, a porosidade é o grande motivo dos escaladores escovarem as rochas, como na figura 3. O uso de magnésio nas mãos para evitar perder a aderência devido ao suor, pode gerar acúmulos na rocha e diminuir sua porosidade. Por isso, é importante o escalador levar a escova para manter a rocha intacta.

Figura 3: Escovação necessária em uma rocha durante a escalada. Fonte: Blog Descalada


Porém, a permeabilidade não é o único fator que deve ser levado em conta. Um grande exemplo disso são as rochas ígneas, que possuem menor permeabilidade. Por conta desse fato, a rocha basalto , na figura 4, possui pouca aderência, se tornando uma rocha muito escorregadia e que pode causar certo risco ao escalador.


Figura 4: Escaladora em uma rocha de basalto. Fonte: Chimarocks


Mas a figura 5 mostra o granito, que mesmo sendo uma rocha ígnea, não sofre com essa perda de aderência devido a sua formação. O lento resfriamento do magma, faz com que a rocha forme cristais de diferente texturas, e permite que a aderência seja mantida, mesmo com uma permeabilidade baixa.


Figura 5: Escalador em uma rocha de granito. Fonte: Escalada Granada


Já as rochas metamórficas são as que produzem os maiores problemas aos escaladores. O quartzito, na figura 6, é o exemplo mais claro. A estrutura da rocha se mantém lisa e sólida, o que dificulta o encaixe e deixa o posicionamento instável. Somado a isso, a porosidade das rochas metamórficas é baixa, o que não permite a aderência necessária e causa um pouco mais de problemas aos escaladores.


Figura 6: Escalador em uma rocha de quartzito. Blog Descalada


A partir dessas informações, é possível perceber o quanto de informação pode ser armazenada e deve ser avaliada por um escalador quando começar o processo de escalada. Aprender, entender e respeitar os processos geológicos, garante o sucesso e a segurança de um bom escalador.

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A Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo é uma das estações mais movimentadas da metrópole. Conforme pode ser observado na figura 1, a linha que foi inaugurada em junho de 2010, é responsável por pontos importantes da cidade, como as estações Paulista, Faria Lima, Butantã, República, Morumbi, entre outros.


Figura 1: Trajeto da Linha 4-Amarela do Metrô SP. Fonte: Metrô SP


A linha é a única da América Latina a usar o sistema driverless, semelhante a linhas da Dubai, Barcelona e Cingapura [1]. Um importante avanço do transporte público brasileiro, porém convive com uma construção controversa, que culminou em um acidente catastrófico.

As obras foram iniciadas apenas em 2004, devido a inúmeros atrasos em seu planejamento, começou com sondagens rotativas nas fases de projeto básico e projeto executivo, relatadas na figura 2, sendo todas elas verticais e na superfície [2].


Figura 2: Planta detalhando as sondagens do projeto básico e executivo. Fonte: USP


Até o desabamento das obras, nos últimos 22 meses, já haviam sido relatados 10 acidentes, e pelo menos 3 deles foram por conta de erros de engenharia, incluindo o óbito de um funcionário soterrado durante as escavações da Estação Oscar Freire, em junho de 2006 [1].

Na tarde do dia 12 de janeiro de 2007, uma cratera de 80 metros de diâmetro e 32 metros de profundidade engoliu caminhões e carros no local da obra [3]. O desastre estampou as principais capas de jornal do país, como observado na figura 3.


Figura 3: Capa do Estado de S.Paulo de 13/01/2007. Fonte: O Estado de S.Paulo.


Três dias antes do colapso, um afundamento de 20mm foi detectado [4]. Com isso, iniciou a instalação de chumbadores, onde os trabalhos prosseguiram normalmente, e não havia qualquer indício de anormalidade. Porém, no dia do colapso, como pode ser observado na figura 4, desde o primeiro sinal de anormalidade até o colapso completo, passaram apenas 6 minutos [5].


Figura 4: Cronograma de eventos do dia do colapso. Fonte: USP.


A maior tragédia do Metrô SP levou 14 réus para a Justiça de São Paulo. Em outubro de 2016, a decisão foi de que haviam provas que os réus eram inocentes do caso. “Os acusados não tinham como prever o acidente, em razão de todas as circunstâncias apuradas. A execução do projeto de obra estava dentro da normalidade, todas as equipes acompanhavam cuidadosamente cada passo da execução e não apontaram qualquer situação que indicasse a possibilidade de um acidente”, informou a juíza Aparecida Angélica Correia, da 1ª Vara Criminal, responsável pelo caso [6].


REFERÊNCIAS


[1]https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/80-metros-de-diametro-e-7-vitimas-fatais-cratera-do-metro-da-linha-amarela.phtml

[2] Winiawer, José Eduardo Beltrão. "Análise de estabilidade de túneis escavados em meios rochosos: aplicação ao caso do colapso do túnel Estação Pinheiros." (2012).

[3] https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/20070113-41360-nac-1-pri-a1-not

[4] https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/20070113-41360-nac-42-cid-c3-not

[5] Kanji, Milton A. "Avaliação de sinistros e do risco em obras geotécnicas-Conceitos e alguns exemplos."

[6] https://www.cartacapital.com.br/sociedade/justica-inocenta-14-reus-por-cratera-que-matou-7-no-metro-paulista/



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A popularização dos aterros sanitários em grandes cidades do Brasil e do mundo é algo relativamente recente. O município de Cuiabá - MT, por exemplo, passou a contar com aterro sanitário somente a partir do ano de 1997, sendo que nos 15 anos anteriores os resíduos do município eram dispostos no antigo “Lixão de Cuiabá” [1].

Além de propiciar uma melhor disposição final aos resíduos, a implantação do aterro sanitário tinha como finalidade a recuperação da área degradada, anteriormente ocupada pela atividade do garimpo. Assim, os rejeitos enfardados seriam depositados no solo, proporcionando a remoldagem do relevo da área. No mesmo ano, junto com o aterro, criou-se também uma Usina de Reciclagem e Compostagem [1].

A ideia inicial da implantação da obra era de que os resíduos coletados fossem transportados até a Usina de Reciclagem e Compostagem, onde seriam triados e enfardados para posterior acondicionamento na área do aterro sanitário, e esses fardos cobertos com composto orgânico obtido da usina, para fins de revegetação. Logo, o projeto inicial do aterro não previa a impermeabilização de base, tendo em vista que toda a matéria orgânica – principal responsável pela geração de chorume – seria encaminhada à compostagem [2].

Todavia, o projeto não foi executado conforme planejado, o que acarretou na disposição incorreta dos resíduos no solo, que não tinha previsão de impermeabilização. Assim, tanto o solo da primeira célula, quanto as lagoas de tratamento de chorume nunca foram impermeabilizadas [2]. Após o encerramento dessa primeira célula, as demais foram construídas com impermeabilização e sistemas de drenagem de chorume e águas superficiais e de extração de gases para queima [3].

Um estudo realizado em 2008 [4] investigou possíveis contaminações por infiltração de chorume na área do aterro sanitário de Cuiabá, por meio de ensaios geofísicos. O estudo foi motivado pela suspeita de formação de pluma de contaminação nas partes do aterro sanitário que não possuem impermeabilização de base, e buscou determinar a extensão e profundidade da mesma.

Os ensaios geofísicos empregados no estudo consistem em métodos indiretos de investigação, os quais fornecem valores de condutividade elétrica do subsolo. Considerando que o chorume gerado em aterro sanitário é rico em íons, pode-se correlacionar valores elevados de condução elétrica a uma provável contaminação por chorume proveniente do lixo, uma vez que a condução elétrica ocorre principalmente através de íons [5].

Os resultados do estudo apontaram anomalias de condutividade em boa parte da área do aterro, sendo mais perceptível na região das lagoas de tratamento de chorume e nas laterais sul e norte da célula de aterro impermeabilizado, como pode ser observado na Figura 1, que ilustra a condutividade aparente na profundidade teórica de 15 m [4]. Ou seja, nos locais onde a deposição de lixo era mais recente, mesmo havendo impermeabilização de base, os valores de condutividade foram mais elevados, podendo ter havido contaminação do subsolo. Isso indica que a impermeabilização pode não ter sido efetiva e que existem zonas de fuga de chorume através da base do aterro.


Figura 01: Condutividade aparente na profundidade teórica de 15 m.

Fonte: Laureano (2007) [3].


A fim de entender a causa desses resultados, é importante citar que a área conta com um solo argilo-siltoso, classificado com 7,85% de areia, 35,11% de silte e 57,04% de argila [1]. Com relação à formação rochosa, como visto anteriormente no texto de formação geológica, o Grupo Cuiabá, na região da Baixada Cuiabana, é dividido em 9 Subunidades, sendo a região do aterro sanitário de Cuiabá inserida na Subunidade 5 em contato com a Subunidade 6, como mostra a Figura 2.


Figura 2: Perfil geológico transversal do aterro sanitário de Cuiabá

Fonte: Fernandes et al. (2006) apud Laureano e Shiraiwa (2008) [4].

A Subunidade 5, localizada mais ao sul, constitui-se na área mais problemática, pois há presença de metarenito, que possui maior permeabilidade e porosidade, além das fraturas preenchidas por quartzo, oferecendo riscos aos recursos hídricos subterrâneos. Foi evidenciada contaminação nessa área, mas não foi possível saber até onde ia a pluma contaminante devido a dificuldades na aquisição de dados pelo estudo [4].

No lado norte, onde predomina a Subunidade 6, composta basicamente por filitos conglomeráticos, foram realizados muitos ensaios eletromagnéticos indutivos. Próximo às lagoas e ao aterro impermeabilizado os indícios de contaminação foram acentuados, mas a pluma ainda não havia se espalhado muito lateralmente [4].

O acontecido com o aterro sanitário de Cuiabá revela, portanto, que é de grande importância uma impermeabilização bem feita nas bases desse tipo de obra, em especial em áreas onde os materiais geológicos (solos e rochas) apresentam alta permeabilidade. Dessa forma, pode-se evitar que ocorram fugas de chorume e, consequentemente, prevenir contaminação do subsolo e das águas subterrâneas.


Referências


[1] ROHLFS, D. B. Aplicabilidade de metodologia de avaliação de risco à saúde humana em área de disposição de resíduos sólidos: Estudo de Caso do Aterro Sanitário de Cuiabá/MT. Tese de Doutorado. Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 224p. 2016.


[2] SANTOS, A.A. Qualidade das águas superficiais e subterrâneas na área de influência do aterro sanitário de Cuiabá- MT. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental, Instituto de Física, Universidade Federal de Mato Grosso. 128p. 2008


[3] LAUREANO, A.T. Estudos geofísicos no aterro sanitário de Cuiabá, MT. Dissertação de Mestrado. Instituto de Ciências Exatas e da Terra, Programa de Pós-graduação em Física e Meio Ambiente, Universidade Federal de Mato Grosso. 149p. 2007.


[4] LAUREANO, Andreza Thiesen; SHIRAIWA, Shozo. Ensaios geofísicos no aterro sanitário de Cuiabá-MT. Revista Brasileira de Geofísica, v. 26, p. 173-180, 2008.


[5] RIGHI, J. A.. Notas de aula da disciplina de Geotecnia Ambiental. 2019.



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