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Aspectos Geológicos da Vila Pan-Americana

A formação pedológica da costa brasileira apresenta espessos depósitos de solos moles, e em especial os depósitos na região dos bairros Recreio e Barra da Tijuca são conhecidos por possuírem as piores características geotécnicas na costa brasileira [1]. Solos moles são solos argilosos ou silto-argilosos muito compressíveis com Nspt que varia entre 0 e 4. Em geral esse tipo de solo possui baixa resistência ao cisalhamento, capacidade de carga e permeabilidade, além de um NA (nível d’água) muito próximo a superfície [1].

Os sedimentos que constituem esse tipo de solo datam do quarternário superior, ou seja, mais de 10.000 anos atrás. Em geral, depósitos de solos argilosos moles brasileiros têm como mineral mais frequente a caulinita, mas também ocorre a presença de outros minerais como a ilita, haloisita, montmorilonita e clorita. Esses minerais argílicos ditam as características (superfície, tamanho, forma) das partículas de argila da região [2].


Unidades Geoambientais da Região


De acordo com o mapa geoambiental do estado do Rio, a macrorregião na qual a Vila do Pan se localiza é composta por quatro unidades geoambientais, sendo elas: as planícies fluvio-lagunares (2b1), baixadas (3a), planícies costeiras (5a) e maciços rochosos (15a2 e 15b), como pode ser visto na Figura 1.

Figura 1. Unidades Geoambientais da Baixada de Jacarepaguá. Fonte: Adaptado de [3]


As Planícies Flúvio-Lagunares (2b1) são terrenos inundáveis de argila ou argila-arenosa ricas em matéria orgânica (turfa), com alta concentração de sais e enxofre e baixa capacidade de carga. As baixadas (3a) são formadas predominantemente por solos aluvionares de argila-arenosa e argila-siltosa inundáveis. Tanto essas planícies como as baixadas são tidos como locais de geologia inadequada a urbanização [3].

As Planícies Costeiras (5a) são formada por sedimentos arenosos e areia quartzosa marinhos, de alta permeabilidade e nível freático elevado, suscetível a erosão eólica. A região da Barra da Tijuca também é circundada pelos Maciços Costeiros (15a2 e 15b) compostos por rochas magmáticas como granitos, e metamórficas como a gnaisse facoidal, ortognaisses e paragnaisses, como a Pedra Branca e a Pedra da Gávea; os solos dessas unidades geoambientais são pouco espessos, e a região suscetível a erosões e movimentos de massa [3].

A Vila da Pan está localizada na Baixada de Jacarepaguá, que abrange as Regiões administrativas de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Cidade de Deus e onde se localiza o Complexo Lagunar de Jacarepaguá, formado pelas lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marpendi e Lagoinha [4]. Localizando no mapa da Figura 2, percebe-se que a região da baixada faz parte das unidades geoambientais das Planícies Flúvio-Lagunares e Costeiras, o que faz sentido, visto que areias marinhas/lagunares e argilas orgânicas com turfas foram indicados como sendo os solos formadores da área [5].

Figura 2. Localização da Baixada de Jacarepaguá. Fonte: [4]



Unidades Geológicas da Região


Além das unidades geoambientais, é possível conhecer a composição geológica da região dos entorno do empreendimento da Vila do Pan através do mapa geológico do estado. A Figura 3 apresenta um corte do mapa, com foco na região da Baixada de Jacarepaguá, e abaixo, a tabela 1 indica a composição geológica de cada unidade presente na baixada de acordo com as legendas do mapa.

Figura 3. Unidades geológicas da Baixada de Jacarepaguá. Fonte: [6]

Tabela 1. Unidades geológicas da Baixada de Jacarepaguá. Fonte: [6]


Perfil Geotécnico da Vila Pan-Americana


O terreno onde foi implantada a Vila Pan-Americana é formado por solo orgânico turfoso muito mole e solo argiloso ambos com presença de conchas até profundidades que variam entre 6 a 12 metros, com teores de umidade que variaram entre 200% e 400%, abaixo dos quais começa a ocorrer solos sedimentares e residuais de melhor capacidade de suporte. Por esse motivo as edificações que compõem a vila foram construídas em fundações de estacas [5].

Um perfil geotécnico do subsolo da área pode ser visto na Figura 4, e foi obtido através de quatro sondagens SPT [5]. Os valores de Nspt obtidos em cada camada podem ser vistos na imagem, e é possível identificar que na camada de argila mole, cuja profundidade varia entre 8,90m a 9,50m foram obtidos Nspt iguais a 0.

Figura 4. Perfil geotécnico do subsolo da Vila do Pan. Fonte: [5]



Referências


[1] MARQUES, M. E. S.; BERBERT, L. A.; AGUIAR, W. B. De. Mapeamento geotécnico de um depósito de solo compressível em Guaratiba, Rio de Janeiro. Revista Militar de Ciência e Tecnologia, 2016.

[2] CARNEIRO, R. F. Previsão do comportamento da argila mole da Baixada de Jacarepaguá: o efeito da submersão do aterro e do adensamento secundário. Tese de Mestrado. Rio de Janeiro, 2014.

[3] DANTAS, M. E.; SHINZATO, E.; MEDINA, A. I. De M.; SILVA, C. R. Da.; PIMENTEL, J.; LUMBRERAS, J. F.; CALDERANO, S. B. Diagnóstico Geoambiental do Estado do Rio de Janeiro. Brasília, 2000.

[4] CARVALHO, R. P. B. De. Qualidade urbana /ambiental no território carioca: o caso do planejamento da Baixada de Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Caderno de Geografia, 2013.

[5] BORBA, A. M. Análise de Desempenho de Aterro Experimental na Vila Panamericana. Tese de Mestrado. Rio de Janeiro, 2007.

[6] SILVA, L. C. da.; CUNHA, H. C. da S. (Organizadores). Geologia do Estado do Rio de Janeiro. Brasília, 2001.