O que a geologia pode dizer sobre as mudanças climáticas?

O período geológico atual é considerado por muitos pesquisadores o antropoceno. “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica” [1].

As ações humanas estão alterando o clima do planeta, seja pela alteração nos padrões de chuvas, seca, ocorrências de furacões, e as mudanças climáticas são a causa dessas alterações [2].

De acordo com o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) [3], o Brasil sofrerá com o aumento da temperatura em todas as regiões, porém com intensidades diferentes.

O Brasil já passou por diversas mudanças climáticas durante a sua história, sem falar em outras mudanças geológicas. No passado, o Brasil já foi coberto por geleiras, mares e desertos. A instabilidade climática atual não é nada em comparação com as mudanças do passado. As mudanças de curto prazo, com a duração de dias, semanas, meses, anos, décadas, ou até séculos, são somente picos de menor importância dentro de períodos mais longos do tempo geológico [4].


Qual o papel da geologia nos efeitos das mudanças climáticas?


Qualquer alteração climática, modifica a paisagem, seja pelas chuvas ácidas, precipitação e fluxos de massas de ar [4]. De acordo com Eerola, a geologia está em uma posição chave ao se discutir sobre as mudanças climáticas, pois esta é a ciência da mudança da terra, em que os acontecimentos do nosso planeta foram gravados em camadas de rochas sedimentares, que são lidas e interpretadas pelos geólogos [4].

Na história do planeta, tivemos diferentes períodos de glaciações, se percorrermos o nosso passado podemos reconstruir as mudanças climáticas que aconteceram em nosso planeta.

Durante o período Arqueano, a Terra tinha um clima frio, entretanto, de acordo com os registros geológicos, a temperatura do oceano era acima de 70°C e uma das hipóteses é que tínhamos um super efeito estufa na atmosfera, devido às altas concentrações de CO2 [5]. (Figura 1)



Figura 1 – Glaciação Arqueana

Fonte: http://collectionfossilis.blogspot.com/p/1-eon-arqueano.html

A glaciação Paleoproterozóicas, conhecida como Huroniana deixou vestígios geológicos nas rochas encontradas na Finlândia e Russia [4]. Nas Glaciações Neoproterozóicas, a Terra pode ter passado por vários eventos de glaciação, sugeridos pela presença de sedimentos glaciais em diferentes continentes [6],como pode ser visto nas Figuras 2 e 3).



Figura 2 – Glaciação e idade do gelo

FONTE: https://www.meteorologiaenred.com/pt/a-glacia%C3%A7%C3%A3o.html



Figura 3 – Planeta bola de neve

FONTE: https://www.meteorologiaenred.com/pt/a-glacia%C3%A7%C3%A3o.html

As glaciações Paleozóicas afetaram mais o hemisfério sul e no Brasil temos vestígios de geleiras nos períodos Devoniano, Siluriano e Carbonífero. Foi nesse período que aconteceu a formação da Pangea e sua separação, com mudanças climáticas, atividades vulcânicas e a queda de meteorito que colocaram os dinossauros em extinção [4]. A Figura 4 a seguir mostra as transformações ocorridas.



Figura 4 – Rochas sedimentares paleozóicas

FONTE: https://black-smoker.com/2019/04/22/paleoclimas-e-as-glaciacoes/

Nos últimos milhões de anos, tivemos as glaciações Quaternárias, onde ocorreram as maiores transformações. A Europa do Norte e a América do Norte eram cobertas por geleiras, e as mudanças climáticas que ocorreram nesse período foi o fator que contribuiu para a evolução do homem e distribuição das espécies [4]. A Figura 5a seguir mostra a geologia do período.



Figura 5 – Geologia do período quaternário

FONTE: https://meioambiente.culturamix.com/recursos-naturais/em-qual-era-formaram-as-grandes-cadeias-de-montanhas

As mudanças climáticas são parte da nossa realidade mundial e através da geologia podemos perceber o quanto elas podem interferir em nossas vidas. Conhecer a história do planeta pode ajudar a humanidade a compreender suas consequências.


Referências

[1] ALVES, J. E. D - Antropoceno: a Era do colapso ambiental.

Disponível em < https://cee.fiocruz.br/?q=node/1106> Acessado em 17 de jan. 2022.

[2] ARTAXO, P. - Ação do homem está criando nova era geológica. Disponível em < http://jornal.usp.br/radio-usp/radioagencia-usp/acao-do-homem-esta-criando-nova-era-geologica/> Acessado em 17 de jan. 2022.


[3] PAINEL BRASILEIRO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS (PBMC) - Mudanças climáticas no Brasil. Disponível em < http://pbmc.coppe.ufrj.br/index.php/en/news/459-mudancas-climaticas-no-brasil#:~:text=No%20Brasil%2C%20o%20clima%20ficar%C3%A1,pa%C3%ADs%3B%20e%20aumentar%C3%A3o%20nas%20regi%C3%B5es> Acessado em 17 de jan. 2022.

[4] EEROLA, T.T - MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS: PASSADO, PRESENTE E FUTURO - Disponível em < https://cetesb.sp.gov.br/proclima/wp-content/uploads/sites/36/2014/04/eerola_mc.pdf > Acessado em 17 de jan. 2022.

[5] Ciência e clima – Quando a Terra tinha um super efeito estufa. Disponível em < https://cienciaeclima.com.br/quando-a-terra-tinha-super-efeito-estufa/#:~:text=Durante%20o%20Arqueano%2C%20entre%204,geol%C3%B3gicos%20n%C3%A3o%20corroboram%20essa%20hip%C3%B3tese. > Acessado em 17 de jan. 2022.

[6] FONT, E. C. - Paleomagnetismo dos carbonatos de capa do cráton amazônico (Brasil): implicações para as glaciações do neoproterozóico. Revista Brasileira de Geofísica [online]. 2006, v. 24, n. 3 [Acessado 17 Janeiro 2022]. Disponível em < https://doi.org/10.1590/S0102-261X2006000300016 > Acessado em 17 de jan. 2022.