O maior acidente ambiental em extensão do litoral do Brasil

Um vazamento de petróleo cru, que vem ocorrendo desde 02 setembro desse ano de 2019, já atinge 150 localidades em 68 municípios de 9 estados.


Mancha de óleo é vista em praia vizinha à foz do Rio São Francisco — Foto: Simone Santos/Projeto Praia Limpa


Tal petróleo possui uma composição química que é resultante de uma complexa combinação de hidrocarbonetos, enxofre, carbono, nitrogênio, metais, dentre outras substâncias que podem causar diversos impactos à saúde humana, aos animais marinhos e demais constituintes do meio ambiente.


O petróleo é caracterizado como um líquido de fase não aquosa, menos denso que a água (mais "leve"), denominado LNAPLs ( Light Non-aqueous phase liquid).


Isso quer dizer que ele não se dissolve nem se mistura facilmente com a água, ao mesmo tempo que é menos denso e portanto não afunda.


Podemos ver na imagem um esquema representando as três fases (LNAPL - ÁGUA - DNAPL))

Já o DNAPL ( Dense Non-Aqueous Phase Liquid ) assim como o LNAPL, não se mistura ou dissolve facilmente em água (muito imiscível), a diferença é que ele é mais denso e por isso tende a afundar.


Os produtos derivados de petróleo geralmente a classificação LNAPL e tem alto potencial poluidor de solo e águas.



Voltando ao acidente

Segundo Helena Ribeiro, geógrafa e professora do Departamento de Saúde Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) as consequências da exposição ao contaminante são divididas naquelas de curto, médio e longo prazo, incluindo aí o impacto psicossocial do desastre ambiental.


Em relação aos impactos imediatos, os animais marinhos da área podem ser afetados tanto pela ingestão da substância quanto pelo contato com líquido que “gruda” e compromete a locomoção.


Tartaruga é encontrada coberta de óleo de origem desconhecida no litoral do Maranhão

Além dos animais marinhos, o ecossistema do litoral brasileiro também pode ser afetado, a oceanógrafa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Maria Christina Araújo alerta que o mesmo é frágil. "No manguezal, um ambiente com biodiversidade excepcional, é praticamente impossível remover o óleo. O dano pode ser irreparável e os ecossistemas levarão anos para se recuperar", afirma.

Álvaro Pulchinelli Júnior, toxicologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ressalta que a curto prazo, o contato com o óleo pode causar irritação na pele e mucosas, já a ingestão de peixes ou frutos do mar de áreas atingidas pode resultar em náuseas, vômitos e gastroenterite (inflamação no estômago e intestino).


Manchas de óleo na praia de Lagoa do Pau, no município de Coruripe, em Alagoas — Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Pixel Press/Estadão Conteúdo


Em relação os efeitos de longo prazo, vale destacar que foi realizado um trabalho de pesquisa depois do acidente do Golfo do México em 2014, e publicado no The American Journal of Medicine. Nesse trabalho, foram analisados resultados de exames clínicos de 117 pessoas expostas ao óleo quatro anos antes e identificaram, nesses indivíduos, o aumento do risco de desenvolvimento de alterações no perfil hematológico e na função hepática, favorecendo a chance de ocorrência de doenças como o câncer.


Brasileiros têm pesquisado sobre o assunto, como Helena Ribeiro, da USP, ela verificou que o contato de forma prolongada pode causar danos genotóxicos (alterações no DNA) no caso de consumo de alimentos marinhos contaminados e também provocar problemas respiratórios e eventuais dificuldades reprodutivas. Helena ainda ressalta os danos econômicos e psicossociais: “Pescadores e outras pessoas que trabalham com o turismo ou atividades prejudicadas pelo derramamento do petróleo podem ter problemas de saúde mental”.


Até o momento não foram apurados os fatos que causaram o derramamento e nem há evidências sobre os responsáveis pelo acidente.


Fontes: G1, Hidroplan, Galileu

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